“Uma pessoa não precisa estar a vida inteira ao seu lado para se tornar única e inesquecível
“Se ele é burro o suficiente para ir embora… Seja inteligente o suficiente pra deixá-lo ir.
“Mas a verdade é que a gente funciona como uma espécie de celular. Tem horas que a gente está perdido pelos lugares, tem horas que a gente é jogado no chão sem perceber. Tem horas que a bateria está cheia e as forças todas recompostas, e tem horas em que a bateria está apitando, implorando por uma recarga. Chega um tempo em que a gente perde a graça, que as pessoas enjoam e fazem a gente sair de moda na vida delas. E no meio dessa difícil vida de eletrônico, chega aqueles dias em que tudo que a gente mais quer é ficar desligado, sem receber ligações, mensagens ou ter que ouvir o despertador apitar.
“Eu não sei colocar pontos finais, eu não sei acabar com algo, eu não sei excluir alguém da minha vida.
“Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam, de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e, sim, para disfarçá-la, sufocá-la. Ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.